quinta-feira, 22 de abril de 2010

escafandrista da minha própria alma.

mudando a pele, ainda em fase de pupa ou ainda ninfa / borboletear amanhã com as minhas cores, com as minhas asas e ser breve como a própria borboleta, para novamente morrer e renascer com outras cores, novas, asas maiores ou alcançar voôs mais altos, como Fernão Capelo, mesmo que isso contrarie as convenções do que seja a minha natureza. /
Arriscar, mas para isso sentir o que está acontecendo comigo nesse exato momento e no momento estou vivendo o luto, luto daquele que morreu, morreu de verdade, que não mais voltará, que não está mais aqui comigo, dividindo a cama, o espaço, anunciando sua chegada com seu som, seu cheiro, seus movimentos que chamavam tanto a atenção da sala, da casa, do quarto, do nosso quarto. / Agora o luto é de mim mesma também, daquela que fui para ele e com ele, daquela que se difere da que estou conhecendo agora, sem a presença dele e sem a minha própria, embora mais comigo do que nunca estive, mas é outra Paloma que me acompanha agora, que me chama atenção, em outro ambiente / porque ela ao entrar na sala, no quarto, nos lugares comigo, chega ainda sorrateira, porém firme, ainda descuidada, insegura, estranhando aqueles olhares que se acostumaram a vê-la com ele ou que sabiam que ela era a dele, / estávamos tão ligados assim, que só agora eu percebo a continuidade que tínhamos um com o outro, um no outro um na vida do outro, esse casamento.

e os olhares que me viram ali ao lado dele e o olhar que eu mesma tinha é outro e isso também é estranho ainda / não sei bem qual desvio de olhar posso dar ou qual direção buscar. o que sou eu nesse momento e toda a afirmação que faço dessa nova mulher agora / o q me mostro, o q busco ou encontro é também o q me surpreende após a postura que tomo no mundo. / o que eu quero e o que eu não quero e o que venho respeitando - a Paloma e aos mais íntimos desejos dela, que coloco aqui na terceira pessoa, por se tratar de uma que eu venho ainda conhecendo e conquistando, ao mesmo tempo sendo conquistada / a minha verdadeira vontade - de ser e de querer. / o que eu quero pra mim, o que eu quero de mim, as escolhas que eu faço, o que escolho dessa caixa de chocolates que me está ofertada

agora eu entendo o que o richard dizia: "life is a box of chocolates", entre outras coisas que ele queria que eu percebesse na vida, da minha vida. porque eu me preparei também com ele (ou comigo ao lado dele) para o que viria após, com aquele que foi o verdadeiro até então, o amor

agora eu percebo e se estou assim, percebendo é porque eu quis, porque eu quero, porque eu escolhi lá atrás, mesmo com tanto medo, mesmo sem saber que hoje seria isso que viveria, porque isso não tem mesmo como se saber e se fosse intencional eu não iria hoje viver a surpresa deliciosa de estar vivendo tudo isso agora e não seria tão sincero também. não foi um plano, não houve cálculo algum, foi despretensioso, foi inocente, mas foram escolhas muito íntimas e embora nada calculadas, vieram de uma sabedoria ainda oculta pra mim, da minha alma que gritava por se libertar ou para ser conhecida pela minha consciência, que fosse ao menos sentida e como eu a sinto hoje!
A dor, a dor pungente, latente, essa imersão nos mais profundos sentimentos de alma, não estacionar mais naquelas emoções do corpo e submergir naquilo que sou, no que me faz me torna agora eu mesma, para mim mesma. E após isso trazer à superfície toda a descoberta do mergulho.

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