quarta-feira, 30 de junho de 2010

além do que...

Estou comigo agora
Num encontro agora
E agora isso me assusta ainda

Sei que não posso contar sempre e tanto
com a sua ajuda

Além
Do que
Estamos assim
Cada um pra si
E por nós um Poder Maior
Que só pode ele
E que não maltrata

O desencontro
estabelece
o achar-se só
só que vou seguir mais
crescer mais
melhorar
vai passar

Além
do quê mesmo
estou disposta agora?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

it's all about make-up

tira o batom pra fechar o zíper do vestido
e passa ele mais uma vez na boca
descasca uma pêra
e toma mais um pouco de mel

se arruma no salto
se atrapalha no alto
tamanha liberdade
que cansa a pele
e os cabelos

it's all about make-up

entra no banho de máscara
casa com o gato
sua banda é seu papagaio
bubblegummer é o nome dele
avon é o nome dela
da banda, da banda

it's all about make-up
it's all about make-up

não gosta de vento
não gosta de transpirar
não gosta de academia
mas adora dançar descalça
pelada
sem nada
sem batom
sem tom
sem som
sem se maquiar

porque...

it's all about make-up
it's all about make-up

and that's all!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

e no dia do aniversário, versar!


29 anos hoje!








Hoje quero falar do que me traz os delicados prazeres, na mais profunda felicidade que está em momentos tão breves e definitivamente eternos pra mim. Esses momentos são aqueles que me reencontro com o sentimento mais puro e inocente, quando eu me sinto novamente aquela criança, mesmo que isso seja inconsciente, aliás, justamente por sê-lo é que faz desse instante de felicidade eterno e absolutamente genuíno.

quando criança...

  • gostava de dedicar um tempo à distância que me aproximava da verdadeira observação, aquela que me integrava a cada pedaço, a cada frame de imagem que o meus olhos pudessem captar, ou não, à tudo aquilo que marcava em todos os sentidos da carne e sobretudo e principalmente às sutis percepções do espírito. Captando a criação, desconfigurando os pensamentos, vivendo em sentimento e encontrando o Criador.

  • quando nada passa despercebido e se sorri ao ar e se suspira em gratidão ao que é fresco e renovado, ao que pode ser de novo novo, ao que se revive e vive como da primeira vez que fosse aquela sensação pura de ser uma, de ser um espírito-Deus.

  • é na hora que eu me presenteio de mim mesma e isso me basta, por hora isso me satisfaz, ao meu espírito que é tão cansado, que na maior parte do tempo se desgasta de tanta, de tanta civilização. E os outros participam nessa hora, quando eu me mantenho em total amorosidade com qualquer um que venha, que esteja distante o suficiente para assim poder estar em mim.
Quando criança... sou a que deixa, sou a que permito, a que realiza e se revela em sonho, a que brinca e vai se "versariando" a cada dia.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

que mal há em errar se eu erro sempre os erros certos? pois é errando que me encaminho sempre ao que pode ser mais acertado dessa vez. porque errar, além de ser iniciado por um ato de muita coragem, é o que eu faço sempre na tentativa de acertar. afinal não fosse pelo primeiro passo que se dá na tentativa natural e instintiva de ficar de pé e caminhar, eu não estaria agora, nesse momento podendo me movimentar. e se não foi dessa vez, paciência, terá sempre alguma outra situação comumente imediata na vida que me levará a tentar mais uma vez, então não se trata nem de erros e acertos, mas de buscas, buscar o ritmo, a medida, a maneira, a pessoa, o tempero, o gesto, o espaço que mais me deixará confortável.

E mais uma vez se trata somente do meu bem-estar aqui, viva e presente e de como eu aproveito os tropeços ou como eu levanto dessa vez, se é que o passo em falso me leva ao chão! Improvisar é a questão!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

escafandrista da minha própria alma.

mudando a pele, ainda em fase de pupa ou ainda ninfa / borboletear amanhã com as minhas cores, com as minhas asas e ser breve como a própria borboleta, para novamente morrer e renascer com outras cores, novas, asas maiores ou alcançar voôs mais altos, como Fernão Capelo, mesmo que isso contrarie as convenções do que seja a minha natureza. /
Arriscar, mas para isso sentir o que está acontecendo comigo nesse exato momento e no momento estou vivendo o luto, luto daquele que morreu, morreu de verdade, que não mais voltará, que não está mais aqui comigo, dividindo a cama, o espaço, anunciando sua chegada com seu som, seu cheiro, seus movimentos que chamavam tanto a atenção da sala, da casa, do quarto, do nosso quarto. / Agora o luto é de mim mesma também, daquela que fui para ele e com ele, daquela que se difere da que estou conhecendo agora, sem a presença dele e sem a minha própria, embora mais comigo do que nunca estive, mas é outra Paloma que me acompanha agora, que me chama atenção, em outro ambiente / porque ela ao entrar na sala, no quarto, nos lugares comigo, chega ainda sorrateira, porém firme, ainda descuidada, insegura, estranhando aqueles olhares que se acostumaram a vê-la com ele ou que sabiam que ela era a dele, / estávamos tão ligados assim, que só agora eu percebo a continuidade que tínhamos um com o outro, um no outro um na vida do outro, esse casamento.

e os olhares que me viram ali ao lado dele e o olhar que eu mesma tinha é outro e isso também é estranho ainda / não sei bem qual desvio de olhar posso dar ou qual direção buscar. o que sou eu nesse momento e toda a afirmação que faço dessa nova mulher agora / o q me mostro, o q busco ou encontro é também o q me surpreende após a postura que tomo no mundo. / o que eu quero e o que eu não quero e o que venho respeitando - a Paloma e aos mais íntimos desejos dela, que coloco aqui na terceira pessoa, por se tratar de uma que eu venho ainda conhecendo e conquistando, ao mesmo tempo sendo conquistada / a minha verdadeira vontade - de ser e de querer. / o que eu quero pra mim, o que eu quero de mim, as escolhas que eu faço, o que escolho dessa caixa de chocolates que me está ofertada

agora eu entendo o que o richard dizia: "life is a box of chocolates", entre outras coisas que ele queria que eu percebesse na vida, da minha vida. porque eu me preparei também com ele (ou comigo ao lado dele) para o que viria após, com aquele que foi o verdadeiro até então, o amor

agora eu percebo e se estou assim, percebendo é porque eu quis, porque eu quero, porque eu escolhi lá atrás, mesmo com tanto medo, mesmo sem saber que hoje seria isso que viveria, porque isso não tem mesmo como se saber e se fosse intencional eu não iria hoje viver a surpresa deliciosa de estar vivendo tudo isso agora e não seria tão sincero também. não foi um plano, não houve cálculo algum, foi despretensioso, foi inocente, mas foram escolhas muito íntimas e embora nada calculadas, vieram de uma sabedoria ainda oculta pra mim, da minha alma que gritava por se libertar ou para ser conhecida pela minha consciência, que fosse ao menos sentida e como eu a sinto hoje!
A dor, a dor pungente, latente, essa imersão nos mais profundos sentimentos de alma, não estacionar mais naquelas emoções do corpo e submergir naquilo que sou, no que me faz me torna agora eu mesma, para mim mesma. E após isso trazer à superfície toda a descoberta do mergulho.

terça-feira, 13 de abril de 2010

embrace



Um descanso

Um engasgo

Um abraço

Depois do gozo

Um laço

Que desfaz outro laço

E aperta num nó na garganta

Vontade de chover temporais

De verão dentro dos meus olhos

Não por ser triste

É por ser livre

Um aconchego

Um livre suspiro

O sorriso aberto e sincero

De dois

Amantes

Nesse abrir do dia

Dessa estação que se encerrou

Vontade de chover temporais

E raiar

Ensaiar o ar da borboleta

Queimei aquela que já fui

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Arrumo! Ao meu rumo!

Ao me arrumar

Pensei que seria melhor

Me despedir

Agradecer

Mas não distrair meu sonho

Transferindo uma outra coisa

Mudando assim de lugar


Passei aquele batom.

Engraçado...

O vermelho na boca já não é o tom que me serve

Pensei que seria melhor

Me despedir

Agradecer


Arrumei

Meu cabelo, que também

Não é mais o mesmo

E a maquiagem nos olhos

Borra mais agora


Pensei em despedir...

É melhor agradecer


Tenho tanto compromisso

Tenho que me esticar

E espreguiçar

Receber o dia

Que vem só pra mim dessa vez


Um presente.

Pensei...

Agradeço

Ao me despedir de você

sexta-feira, 26 de março de 2010

UM SALTO FROUXO DE MIM

Existe uma terrível batalha da perfeição

Mas não há que ser perfeito, poxa

Isso não existe e por isso mesmo

É tudo tão maravilhoso


Não pensar que é errado

Se é feito com paixão

É só mais uma tentativa

Uma nova tentação


E o que há além de mim

Além de estar apaixonada

Sempre apaixonada?

E às vezes tem

Uma certa indisposição


Eu preciso me mover

Literalmente utilizar

Meus braços

E pernas

E necessariamente

As cadeiras


E, quer saber,

não há ninguém que compareça

A presença aqui e lá sou eu

E aqui não há passagem pra você

E de lá se despeça

Só tem mesmo

Sua própria despedida daqui

E eu não vou me manter inerte


Vou continuar

A me mover

Literalmente utilizar

Meus braços

E pernas

E necessariamente

As cadeiras


Vou saltar

Um salto

Salto

Frouxo

De mim

terça-feira, 23 de março de 2010

Pandemia da imunidade - HUMANA, DEMASIADO HUMANA - aff!

"Nos indivíduos, a loucura é algo raro - mas nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas, é regra." (Friedrich Nietzsche)

"Ninguém mais morre hoje de verdades mortais, há antídotos em demasia". (Humano, demasiado humano - Friedrich Nietzsche)



























O que tem ocorrido é que tenho feito confidentes e companheiros instantâneos de papos os motoristas dos taxis que eu tenho pegado.

O que é bastante interessante é que nos olhamos eventualmente pelo retrovisor e quase nunca nos vemos cara a cara, a não ser na hora de pagar a corrida quando alguns deles se viram pra dar o troco, após acender a luz interna do carro e daí nos vimos, mas de maneira muito rápida e não há também necessariamente a curiosidade de conhecer o rosto daquele homem (até agora nenhuma taxista) que ficou o tempo de uma corrida partilhando coisas às vezes muito íntimas de sua vida. E normalmente eu escuto mais do que falo.

Hoje o motorista que me trouxe até minha casa é um cara altamente vacinado; literalmente vacinado. Ele me contou que já tomou todas as vacinas que possam existir, até mesmo aquelas importadas, pois ele detinha também desses dados todos, das que vêm dos EUA, por exemplo (mas não viriam mesmo todas elas de lá? Bom, não sei mesmo... eu até tenho uma amiga que tem uma teoria, da mais pura teoria da conspiração mundial, que os EUA distribuem essas vacinas para implantar chips na sociedade e nos controlar. É possível, segundo o Agente Fox Mulder, não é Tali?).

Esse senhor me disse que fez uma vez um treinamento de sobrevivência, quando servia no exército e teve que tomar 16 vacinas! Fiquei me questionando se o verdadeiro treinamento de sobrevivência foi mesmo na selva.

No início desse papo imunizado ele tava me contando a revolta dele, após ter assistido a uma entrevista do Ministro da Saúde no programa da Gabi, por não poder ser vacinado até daqui há oito anos, quando terá o direito de tomar sua dose contra a Influenza A ou a Gripe Suína. É que o Ministro da Saúde disse em sua entrevista que não há quantidade de vacina suficiente para toda a população e que por isso algumas pessoas não terão esse privilégio (ou seria direito...? bom, não sei também) de receber sua injeçãozinha abençoada pela secretaria de saúde ou pelo Tio Sam, porque afinal é ele o grande bom velhinho farmacêutico daqueles que se encontram sob o pânico da doença sempre iminente, seja do porquinho, seja de um vírus de origem não tão carismática assim, que convenhamos, a imagem simpática do porquinho deu o que falar e vender, né? Então, esse senhor taxista é um desses pobres coitados. Eu sinceramente não absorvi muito bem a notícia a respeito do programa de vacinação, não tô nenhum pouco por dentro dela e nem tô afim de me vacinar no google contra qualquer equívoco de informação que possa por ventura cometer aqui nessa livre narração, até mesmo porque esse blog não tem como pretensão informar, noticiar nada, além de tão-só colocar aqui minhas observações sobre o que vejo e percebo nas minhas corridas de taxi, caminhadas, viajadas etc e tal.

Esse senhor motorista disse que se doar seu sangue, a pessoa que recebê-lo estará sendo brindada com uma riqueza sem igual de imunidade, o que já lhe salvaria do transtorno de ficar tempos numa fila de um posto de saúde pra receber aquela irritante picada da agulha. Que ótimo! Talvez isso deixa esse doador, em pleno gozo de sua cidadania, mais feliz, o deixa ainda satisfeito por dar a sua contribuição deveras moral àquele que possa não ser tão privilegiado assim.

Agora, a pergunta que não quer calar em mim desde que recebi meu troco e me despedi do senhor taxista super vacinado e muito simpático:

- Será que ninguém nunca pensou em questionar porque não há algum tipo de vacina contra a mediocridade humana... ou não será essa talvez menos indolor?

E, por favor, me entendam, eu não sou contra a vacina, só não sou a favor da pandemia mais real e danosa, aquela que está situada num nível mais psicológico, aquela que leva a humanidade ao estado de cretinismo absoluto.

É, acho que me expus à um alto nível de contágio com esse papo no taxi. De repente me senti contaminada por esse pensamento hoje e talvez hoje esse senhor taxista tenha me doado, não seu sangue vacinado, mas sua teoria bastante tóxica pra mim no momento, cujo o antídoto eu tomo agora com essa verborreia filosófica.


quinta-feira, 18 de março de 2010

chega de falar em parâmetros

chega de falar

em parâmetros

e quem, quem está aqui comigo agora, com a gente?


onde é que fica o meu, o seu?

certo e errado, não há!

ademais, se não sente nada, não tem que ficar tentando nada

nem tente se explicar



só eu e minha história

mora

reside sempre, infinita


e não me justifique tanto assim

não me olhe como dele

eu não sou dele! sou minha, sou eu agora, não vê?


e na veia é tanta sede...

é vontade regando a vontade

cabimento de vez

não carece esperar


não espere tanto

e largue tanto medo

pode não acontecer mais uma vez

pode não haver mais querer

posso querer não mais ficar

Lugares onde eu passeio